Poucos pedais na história da guitarra são tão conhecidos — e tão comentados — quanto o Boss Metal Zone MT-2. Lançado em 1991, o Metal Zone rapidamente se tornou um ícone dos timbres de metal pesado e rock extremo, marcando gerações de guitarristas.
Mas o que faz dele um clássico para uns e um vilão para outros? Vamos entender o porquê desse pedal ainda estar firme nas pedaleiras, mesmo mais de trinta anos depois do seu lançamento.
Um tanque de guerra em forma de pedal
Como todo pedal da Boss, o Metal Zone é praticamente indestrutível. O chassi de metal, o switch resistente e o design compacto são marcas registradas da marca japonesa. Mas o que realmente chama atenção é o que está dentro: uma distorção high-gain com equalização ativa de 3 bandas e médios semi-paramétricos, algo bem avançado para a época — e ainda hoje pouco comum em pedais compactos.
Esse controle de médios é o segredo (ou o perigo) do Metal Zone. Com ele, é possível esculpir o som de maneiras extremas, desde timbres magros e cortantes até graves densos e arrasadores. Nas mãos certas, vira uma ferramenta poderosíssima. Nas mãos erradas… pode soar embolado, excessivamente comprimido ou “frito”.
O som: agressivo, moderno e com muita personalidade
O Boss MT-2 entrega muito ganho. É o tipo de pedal que não pede reforço de booster ou overdrive — ele já vem saturado até a alma.
Por isso, é perfeito para estilos como metal moderno, death metal, black metal e até hardcore industrial, onde o ataque e a compressão são desejados.
Quando bem ajustado, o Metal Zone tem um som afiado e definido, especialmente se combinado com um amplificador neutro ou com uma simulação de caixa de alto-falante. Em setups digitais, ele pode funcionar surpreendentemente bem como pré-amplificador, moldando o timbre direto na interface de áudio ou em pedaleiras que aceitam entrada de linha.
O lado controverso do Metal Zone
É impossível falar do Metal Zone sem mencionar sua reputação. Muitos guitarristas o consideram “demais” — muito ganho, muito agudo, muito de tudo. O resultado, especialmente em amplificadores transistorizados, pode soar artificial ou abafado.
Mas grande parte dessa fama vem do mau uso: o pedal tem uma curva de equalização sensível, e pequenas variações nos controles mudam completamente o resultado.
O segredo está no meio-termo: reduzir o ganho, encontrar o ponto certo dos médios e equilibrar graves e agudos. Quando ajustado com paciência, o MT-2 pode surpreender até os mais céticos.
Mods, truques e usos criativos
Ao longo dos anos, o Metal Zone virou terreno fértil para modificações. Existem versões modificadas por Robert Keeley, Wampler e outras marcas que refinam o circuito, deixando-o mais “orgânico” e menos comprimido.
Além disso, muitos guitarristas usam o Metal Zone como pré-amp, ligando-o direto em uma interface ou simulador de caixa. Essa configuração pode entregar timbres muito modernos, especialmente para gravações em casa.
Outro truque clássico é usar um overdrive leve antes do Metal Zone (como um Tube Screamer) para dar mais clareza ao ataque e cortar um pouco da compressão excessiva.
Vale a pena em 2025?
Sim — especialmente se você busca um pedal versátil, com grande alcance de timbres e quer explorar distorções extremas sem precisar investir em um set caríssimo.
O Boss Metal Zone MT-2 é, acima de tudo, um pedaço da história da guitarra elétrica. Pode não ser o pedal favorito de todos, mas sua presença constante em palcos e estúdios prova que ele ainda tem muito a oferecer.
Se você nunca testou um, vale a pena tirar suas próprias conclusões. Plugue, explore o EQ, e descubra por que esse pequeno pedal preto ainda é tema de tantas conversas três décadas depois.














